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quinta-feira, 24 de Maio
“Paço de Arcos é a freguesia mais charmosa do concelho”. É desta forma, com desarmante convicção, que o recém-chegado presidente de junta define a ‘sua’ freguesia.A frente ribeirinha, com atractivos suplementares, graças a um conjunto de intervenções que contemplam, agora, a requalificação da Praia Velha e o prolongamento do Passeio Marítimo, lidera a lista de encantos. “Já tive oportunidade de observar Paço de Arcos vista do mar e é de facto muito bonita. Existe uma harmonia urbana, os prédios, ainda que antigos, mantêm características notáveis do ponto de vista da arquitectura. São diversos os factores associados ao mar e ao rio que conferem este charme à freguesia”.Núcleo histórico “O centro de Paço de Arcos é aglutinador. Funciona como um pólo magnético”, assegura Nuno Campilho. Para isso contribuem, na sua opinião, o facto de ali estarem localizados o ainda pujante mercado, “pólo de atracção natural”, a sede da junta de freguesia e comércio, muito comércio.“Paço de Arcos construiu-se um pouco em volta do mercado: é ali que estão os correios, a florista, a papelaria, a retrosaria, os cafés… tudo se construiu à volta do mercado”, explica.Ao longo dos últimos anos, consequência natural do desenvolvimento, Paço de Arcos “cresceu a norte, na ligação à freguesia de Porto Salvo”. A Quinta da Fonte contribuiu, de forma decisiva, para que tal acontecesse. Bem como a instalação dos Serviços Técnicos da Câmara, as sedes de empresas como a Edimpresa ou a NetJets, a urbanização da Quinta do Torneiro e, mais recentemente, o novo quartel de bombeiros. O presidente de junta acredita que a edificação, naquela zona, do novo centro de congressos, feiras e exposições, vai ser a ‘cereja em cima do bolo’. “Vai contribuir para que as pessoas passem a frequentar ainda mais aquela zona,graças ao incremento de comércio, serviços e habitação”.Conjugados, estes factores vão ajudar a desvanecer a ideia de que o norte e o sul da freguesia são como o azeite e a água. Pelo contrário, Nuno Campilho afirma: “afreguesia é só uma e que eu quero que seja só uma!”.
Actividade económica e empresarial “Paço de Arcos tem a maior e melhor concentração de restaurantes do concelho de Oeiras, sem dúvida nenhuma. A Rua Costa Pinto é o nosso ex libris”. O comércio local no centro é “forte”, em grande medida fruto de “uma ligação quase familiar entre quem frequenta e quem é frequentado”, não esquecendo ainda o Centro Comercial Oeiras Parque.Paralelamente, a freguesia “é também uma das mais desenvolvidas intelectualmente. Pela sua característica empresarial. Paço de Arcos tem uma das maiores concentrações empresariais do concelho, e do melhor que há”, sublinha Nuno Campilho.“A Quinta da Fonte é um dos maiores parques empresariais do concelho, orgulhamo-nos disso, a maior empresa de aviação comercial privada do Mundo e uma das maiores empresas editoriais do País estão sedeadas em Paço de Arcos, e vamos ter um centro de congressos”.
Património “Em boa hora” – considera Nuno Campilho – a Câmara Municipal tomou a decisão de concessionar o Palácio dos Arcos para a instalação de uma unidade hoteleira. Por diversas razões: porque dessa forma fica assegurada, à partida, “uma boa preservação de um património no qual a Câmara Municipal, por si só, não teria condições para investir – trata-se de uma verba considerável”, porque devolve o Palácio, “em toda a sua dignidade, à população”, porque permite manter “a utilização do jardim como público” e, também, porque o centro histórico de Paço de Arcos ganha um hotel. Consciente de que dificilmente existem medidas consensuais, o autarca considera que este é “o caminho a seguir”.
Mobilidade e estacionamento “Penso que o centro de Paço de Arcos tem um problema de ordenamento de tráfego. O centro da vila é atravessado, diariamente, por milhares de carros. Muitos desses não têm como destino o centro de Paço de Arcos, mas a Marginal”.O presidente da junta de freguesia defende, por isso, uma solução que permita que os automobilistas que se dirigem à Marginal, vindos de norte, não sejam obrigadosa atravessar o centro da vila. Mas tem consciência de que não é fácil encontrar uma solução de compromisso, que seja vantajosa para todos.Concluído está já o projecto de um silo automóvel, a construir nas traseiras do supermercado Pingo Doce. Dois pisos de parqueamento subterrâneo vão permitir criar200 novos lugares de estacionamento, que “resolvem, integralmente, os problemas de estacionamento no centro histórico”.Até ao final do ano Nuno Campilho acredita que o Combus passe a servir também a freguesia de Paço de Arcos, contribuindo para uma melhor e mais eficaz mobilidade dos moradores.
Equipamentos O presidente da junta de freguesia anuncia, com “grande satisfação”, que o Centro Cultural José de Castro vai ser uma realidade.“É um processo que se arrasta há muitos anos e é um anseio muito antigo da população. Se existe carência em Paço de Arcos é de um espaço dessa natureza”.As instalações da junta de freguesia constituem outra carência, identificada pelo autarca. “Em nenhuma outra junta do concelho o atendimento é feito num vão de escada. E não estou a pôr aspas – é mesmo vão de escada. Não é digno. Nem para quem faz o atendimento, nem para quem é atendido”, afirma Nuno Campilho. “Sei que existe, por parte da Câmara, vontade em resolver o problema. Provavelmente já não será neste mandato, mas existe vontade”.
Retrato social O crescimento urbanístico da freguesia foi, naturalmente, acompanhado de um fluxo de novos moradores, que ajudam a compor um novo retrato de Paço de Arcos. O presidente de junta acredita ser “natural” que os moradores mais recentes sejam menos interventivos, menos participantes. Por razões relacionadas com a intensidade da vida profissional, por serem oriundos de outras zonas do País, ou por quaisquer outras razões, assumem “uma vivência da freguesia muito mais desligada”. “Vivem e reclamam dos problemas da freguesia muito mais as pessoas mais velhas, as que residem no centro da freguesia ou na zona histórica, do que aquelas que vivem fora, às quais esta vivência comunitária diz pouco”, adianta Nuno Campilho, salvaguardando as excepções que sempre fazem a regra.A análise desemboca na questão da abstenção: “é de admitir – considera – que a população mais abstencionista seja a mais jovem. Os mais velhos, ou porque cá nasceram, ou porque vivem cá há mais tempo, acompanham mais a vida da freguesia, têm naturalmente maior apetência para ir votar”.
Comunidade piscatória Paço de Arcos é também terra de pescadores. Nuno Campilho assevera mesmo que “a comunidade piscatória de Paço de Arcos é uma das mais castiças de toda a frente ribeirinha que vai de Lisboa a Cascais”.Foi também a pensar nessa comunidade que a Câmara Municipal avançou com a obra de requalificação da Praia Velha. Decorreu, já, um pré-registo dos profissionais interessados em assegurar um espaço. O processo está em curso e a obra também. O presidente da junta de freguesia acredita que a intervenção vai conferir dignidade ao espaço, na medida em que disciplina a frequência dos pescadores, transformando-o numa “zona urbana de boa e sã convivência, com uma espécie de anfiteatro ao ar livre e uma zona pedonal, permitindo uma melhor e mais adequada proximidade ao mar. O espaço tornar-se-á agradável não só para passeios, como para a realização de eventos, como as festas de Paço de Arcos, que poderão alargar-se para ali. São imensas as possibilidades de melhor usufruir daquela área”.
Apoio à população idosa Neste domínio, Nuno Campilho aproveita para anunciar o início de um projecto da Polícia de Segurança Pública que prevê o apoio a pessoas com mais de 65 anos. “O desafio foi lançado à junta de freguesia, que cede uma viatura, na qual se farão transportar os agentes que vão contactar com a população, dar conselhos em matéria de segurança, prestar serviços e outras ajudas”, esclarece o autarca. A prossecução do programa é da responsabilidade da PSP, que vai afectar dois agentes ao projecto. Trata-se, nas palavras do presidente de junta, de “uma iniciativa muito meritória, que espero possa arrancar ainda antes do Verão”.
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