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quinta-feira, 24 de Maio

 
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O Naufrágio da Escuna «Howard Primrose» 

 

País feito de mar, que formatou parte da sua identidade na navegação e na conquista oceânicas, Portugal tem uma longa e trágica história marítima, só parcialmente conhecida e estudada. Os naufrágios são inúmeros e os dramas humanos vividos tingem de sangue o mar salgado português. Na Barra do Tejo, porta de entrada e de saída do porto de Lisboa, perigosa e traiçoeira, sucederam alguns dos mais dramáticos desastres marítimos e, não por acaso, alguns dos mais heróicos episódios de socorro e salvamento de náufragos.
Na segunda metade do século XIX, a costa portuguesa registou um grande número de acidentes e naufrágios. A intensificação do tráfego marítimo e a deficiente sinalização das costas foram razões determinantes. Mas não só. A emergente navegação a vapor que fez dispensar, pela primeira vez, os favores da Natureza (ventos e marés favoráveis) na prática de navegar, deu a quem comandava a roda de leme a pretensa capacidade de vencer os mais variados obstáculos e perigos. Alguns dos naufrágios ocorridos na Barra do Tejo, nos séculos XIX e XX, não são dissociáveis desta realidade.
No dia 16 de Fevereiro de 1856, nos baixios do cachopo norte, próximo ao Bugio, encalhou e afundou-se a escuna inglesa «Howard Primrose». As crónicas da época relatam o enorme temporal que se fez sentir e descrevem os principais momentos da trágica ocorrência, do desespero vivido pelos tripulantes no navio encalhado à luta pela sobrevivência nas águas revoltas quando este se desmantelou. Valeu-lhes, após várias tentativas e manobras de salvamento que duraram intermináveis horas, a coragem e a determinação de Patrão Lopes e dos seus companheiros que, no seu ligeiro barco de pesca (após terem utilizado, em vão, a pesada e menos manobrável falua do Bugio), resgataram do mar embravecido o capitão do navio e cinco marinheiros. Pelo destemido acto humanitário, o governo inglês condecorou, de imediato, o Patrão Lopes com a medalha de «Distinção e Mérito» da Rainha Vitória, bem como os seus companheiros, a primeira de muitas distinções internacionais atribuídas a este herói do mar. O governo português, ao invés, tardou a reconhecer-lhe o gesto e o mérito, concedendo-lhe, dois anos depois, «um pesado e desgracioso medalhão». Coisa pouca, uma vez que as maiores honrarias e a gratificação pecuniária já fora atribuída ao militar de serviço no Forte do Bugio, que dera o alarme...




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