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sexta-feira, 19 de Março
A obra produzida por Júlio Pomar é extensa e plural, abrangendo diversas formas de expressão entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas, retratos e colagens. O CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito que está sedeado em Algés é, aliás, detentor de parte significativa dessa mesma obra, a qual foi recentemente apresentada numa exposição que esteve patente naquele espaço (até ao passado mês de Setembro), através da qual foi possível admirar e percorrer uma grande parte do seu universo pictórico, narrativo, mitológico, biográfico e afectivo, que abarca cerca de quarenta anos da sua produção artística.
Júlio Pomar nasceu em Lisboa, em 1926. Entrou em contacto com o mundo da arte muito cedo, tendo desde os 8 anos frequentado aulas de desenho na Escola de Arte Aplicada António Arroio. Em 1942 ingressou na Escola de Belas Artes do Porto. Com o fim da II Guerra Mundial denotou-se um certo enfraquecimento do regime salazarista e, consequentemente, da censura, o que permitiu a chegada a Portugal das formas de arte do pós-guerra e do muralismo mexicano. Esta influência aliciou e seduziu jovens artistas, de que Pomar é exemplo, a fazer da sua arte uma forma de intervenção na sociedade e na política.
Foi então que Pomar se assumiu como contestatário e agitador do regime salazarista, com o qual se recusava colaborar, situação que o levou a integrar os quadros do MUD (Movimento de Unidade Democrática) e o impediu de frequentar a Escolas de Belas Artes do Porto.
O pintor acaba por regressar a Lisboa onde é preso por quatro meses. Aliás, esta prisão é, também, consequência de um retrato que foi convidado a fazer no tempo em que frequentava o Café Majestic, no Porto e que se traduzia na pintura de um fresco no Cinema Batalha daquela cidade. O tema era o são João do Porto, a conhecida festa popular e o trabalho de Pomar veiculou muita a imagem das gentes que via, gente comum, anónima e descalça que retratava e representava a essência do povo português. Tal representação não agradou, obviamente, ao regime e constitui um pretexto para calar uma voz assumidamente irreverente e contestatária. Esta voz encontra-se disseminada por muitas das suas obras, incluindo os dois célebres retratos do escritor António Lobo Antunes e do então Presidente da República Mário Soares.
De personalidade controversa e provocadora (como ele próprio gosta de referir), Pomar assume-se como um pintor da
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