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quinta-feira, 09 de Fevereiro

 
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Entrevista a Carlos Oliveira vereador com o pelouro do Turismo 

 

“Temos, todos, o dever de tratar bem os turistas”

Elevar Oeiras ao estatuto de destino turístico de eleição, revelando potencialidades que permitirão, num futuro próximo, ombrear com concelhos vizinhos, é o desafio que diariamente estimula para o seu trabalho na Câmara Municipal o vereador com o pelouro do Turismo.
O homem que tem ideias para “dar um novo rumo ao turismo em Oeiras” faz-se valer da experiência acumulada ao longo de uma carreira profissional no sector turístico para afirmar, com convicção, que o concelho tem condições para abandonar a “navegação à vista” e avançar para uma estratégia concertada de desenvolvimento do turismo.

“Acredito que o sector do turismo pode desempenhar um papel fulcral no futuro do nosso concelho”.
Para Carlos Oliveira, a aposta no sector empresarial, nomeadamente no que respeita às empresas de alta tecnologia, é naturalmente complementada pela aposta no sector turístico, até porque foram as empresas que contribuíram para o nascimento e crescimento, em Oeiras, do segmento turístico denominado como ‘corporate’, o chamado turismo de negócios.
“Se existiam grandes empresas, multinacionais, existiam visitantes. Naturalmente, fazia mais sentido que os visitantes se hospedassem perto da sede das empresas do que em Lisboa ou em Cascais que são os dois grandes pólos turísticos da região”.
Foi, por isso, a progressiva instalação de um cada vez maior número de empresas que conduziu à instalação de novas unidades hoteleiras. Entre os anos de 2003 e 2006 instalaram-se, no concelho, quatro novos hotéis – três de quatro estrelas e um de três estrelas – contando-se, actualmente, nove unidades hoteleiras, com um total de 2049 camas. Paralelamente, a evolução da taxa de dormidas, entre 2003 e 2007, foi de 95%.
Entendendo o turismo enquanto uma importante “área da economia”, o vereador considera que a vocação turística do concelho, que começa a revelar-se, de há alguns anos a esta parte, de forma mais estruturada, não surge como mera obra do acaso.
Factores como o ordenamento urbanístico e do território, e o percurso feito por Oeiras nesse domínio, a par da preservação do património histórico/cultural e do desenvolvimento económico a que se vem assistindo ao longo das últimas décadas, foram determinantes para que despertasse, nos governantes, a atenção para o sector.
“O principal trunfo de Oeiras é o planeamento urbanístico. É ele que nos vai permitir correr atrás de outras segmentações turísticas, para lá do ‘corporate’ – que vai crescer, claro –, nomeadamente o turismo de lazer, o turismo cultural ou os ‘city breaks’”.
Por outro lado, Carlos Oliveira realça a importância de dois equipamentos cuja construção será viabilizada mediante o estabelecimento de parcerias público-privadas: um centro de congressos e um pavilhão multiusos, e que serão “fundamentais para o desenvolvimento, no concelho, do sector MICE [turismo de eventos, congressos, incentivo e negócios]”.

‘Intervalo de excelência’
Paralelamente, Carlos Oliveira considera “natural” que Oeiras venha a posicionar-se como destino também no que respeita ao turismo de lazer, até porque “temos condições fantásticas, uma linha de costa de dez quilómetros excepcionalmente bem preservada, e estamos aqui num intervalo a que alguém já chamou de ‘intervalo de excelência’”.
O vereador referiu-se, deste modo, à localização geográfica de Oeiras que deve, no seu entender, ser encarada como um dos principais trunfos do concelho no que respeita ao turismo.
“A cidade de Lisboa é, naturalmente, um dos mais importantes pólos turísticos do País. Temos Lisboa, de um lado, e Cascais, do outro. Estamos no meio e acredito que não podemos limitar-nos a ser um concelho de ‘atravessamento’. Temos de captar pessoas para Oeiras e é também nesse sentido que vamos direccionar os esforços de promoção do concelho”.
Convicto de que neste sector Oeiras nada conseguirá sozinho, Carlos Oliveira preconiza entendimentos e parcerias, defendendo que o que for bom para os concelhos limítrofes será, sem dúvida, bom para Oeiras.
“Para começar a promover Oeiras enquanto destino turístico temos de nos unir a outros concelhos. O percurso tem de ser feito em conjunto com outras entidades, quer a nível nacional, quer distrital”.
“Se há um grande evento em Lisboa que faz esgotar a capacidade de alojamento na cidade, Oeiras tem de se posicionar na primeira linha – porque estamos perto e temos boas condições, quer infra-estruturais, quer naturais”.

Um dever de todos
No que respeita ao turismo de lazer, os projectos da Câmara Municipal entroncam também no desenvolvimento de projectos na área dos espaços verdes. A criação de um parque ligando os jardins do Palácio Marquês de Pombal à Estação Agronómica Nacional ou a construção da segunda fase do Parque dos Poetas são disso exemplos, conforme explica Carlos Oliveira, ao assegurar que o interesse dos turistas por um destino também passa pela qualidade do ordenamento do território.
Os oeirenses assumem, neste desafio e na opinião de Carlos Oliveira, papel destacado.
“Quando temos cá um turista, todos temos de o tratar bem. Isto passa pela atitude que cada um de nós, no seu quotidiano, assume. Este papel não pode ser desempenhado apenas pelos governantes ou pelos serviços da Câmara – é tarefa de todos os munícipes, de todos os cidadãos. Sermos simpáticos – como naturalmente somos –, acolhedores e pró-activos a este nível é nosso dever e é muitíssimo importante”.
Uma das preocupações do responsável pelo pelouro do turismo reside na necessidade de fazer prevalecer no concelho, a nível turístico, “uma ocupação o mais homogénea possível”, ao longo da semana e ao longo do ano.
A aposta noutros segmentos do turismo, para lá do ‘corporate’, encaixa nesse objectivo de garantir, às unidades hoteleiras, ocupação durante toda a semana, aos fins-de-semana, durante o Inverno, mas também durante os meses de Verão.
Mas se é certo que as unidades hoteleiras desempenham, neste processo, um papel de grande protagonismo, Carlos Oliveira gosta de reforçar que o turismo não se faz só com os hotéis.
“Sendo um fenómeno de cariz eminentemente económico, o turismo acarreta sinergias relativamente a uma série de outras áreas, nomeadamente o comércio, os serviços e, de forma muito particular, a restauração”.
O vereador está, também no que a esse assunto diz respeito, confiante nas capacidades e potencialidades de um concelho que tem vindo a impor-se como referência no que concerne à gastronomia de qualidade.
Relacionado com a gastronomia, o vinho.
“O vinho de Carcavelos é um dos produtos do concelho relativamente ao qual pretendemos fazer uma promoção séria, de modo a que se transforme no ex libris dos nossos produtos regionais”.
Uma das primeiras medidas a implementar neste âmbito consiste em adoptar, definitivamente, o vinho de Carcavelos como vinho de recepção de honra em todos os eventos promovidos pela Autarquia.
Paralelamente, a Câmara Municipal deverá avançar com uma estratégia de promoção nos mercados interno e externo – “porque o produto é bom e merece-o” –, cujo primeiro passo será a redefinição tanto do recipiente como do rótulo.
“A presença do ministro da Agricultura nas vindimas, este ano, foi um passo nesse sentido. A estratégia de promoção do vinho de Carcavelos vai ‘colar’ com a recuperação da Quinta do Marquês de Pombal, incluindo a Adega Antiga, e consequente criação de um extraordinário ambiente em redor do vinho de Carcavelos e da marca ‘Conde de Oeiras’”.

As novas catedrais
Uma das mais fortes apostas do concelho no futuro está relacionada com o turismo cultural.
Parafraseando Arlete Silva, Carlos Oliveira refere que “os museus são as novas catedrais” e Oeiras não está alheia a essa realidade.
“É fundamental que acompanhemos essa tendência e a esse nível começamos a estar também muito bem apetrechados. Dispomos já de uma oferta cultural muito interessante, com destaque, naturalmente, para o Centro de Arte Manuel de Brito – Palácio Anjos, em Algés, que apresenta, a meu ver, a melhor colecção de pintura portuguesa contemporânea”.
Sensibilizar os operadores turísticos para o potencial turístico de Oeiras é outro dos passos de um caminho que ainda há pouco começou a ser trilhado.
“Já foram feitos alguns contactos, que se revelaram do maior interesse. Começámos por fazer, o ano passado, uma ‘fun trip’ com empresários – aqueles que catapultaram, efectivamente, o crescimento do sector ‘corporate’ – e foi uma experiência fantástica e absolutamente gratificante. Fizemos uma visita aérea ao concelho que permitiu perceber, realmente, que se trata de um concelho bem ordenado, com espaços verdes e com potencialidade para a área turística. Contamos organizar uma nova ‘fun trip’, no ano que vem, convidando desta feita os operadores turísticos”.
Não se julgue, no entanto, que toda a atenção de um vereador do Turismo está voltada para o exterior.
Para Carlos Oliveira, “é também importante que os munícipes conheçam o seu concelho”. É a pensar nisso que o Sector do Turismo da Câmara Municipal promove, ao longo de todo o ano, visitas a locais como o Palácio e os Jardins do Marquês de Pombal ou a Quinta Real de Caxias, que muitos do que vivem em Oeiras nunca tiveram oportunidade de visitar ou, até, cuja existência desconhecem.
Dar a conhecer Oeiras, aos que cá vivem e cá trabalham, bem como aos que turistas, sejam portugueses ou estrangeiros, é uma tarefa tão estimulante quanto compensadora.
No decurso da realização, recente, da Waterfront Expo 2007, a Câmara Municipal teve oportunidade de trazer, até Oeiras, um grupo de delegados internacionais que participavam no evento, incluindo, no roteiro da visita, o Porto de Recreio e a Piscina Oceânica.
“Ficaram absolutamente deslumbrados!”.
São reacções como esta, e tantas outras, somadas à sua própria convicção no potencial do concelho, que parecem continuar a mover Carlos Oliveira, ao longo de um percurso que, acredita, vai permitir posicionar Oeiras como destino turístico de qualidade, num futuro que não se prevê muito longínquo. SC



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