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quarta-feira, 08 de Fevereiro

 
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Entrevista a Isaura Gomes presidente da Câmara de São Vicente Cabo Verde 

 

“A minha sociedade é extremamente machista mas a vida já me ensinou que as pessoas se impõem pela competência. A carreira profissional que eu trilhei leva a que acreditem no meu perfil.
Felizmente eu tenho um grande poder de encaixe e quando se tem o sentido do dever cumprido podem vir todos os atropelos, constrangimentos que nada nos demove”.
Optimista, perseverante e muito intuitiva, Isaura Gomes, acredita num 2008 como ano de viragem para Cabo Verde, um ano muito trabalhoso com uma aposta na vertente cultural e na formação dos recursos humanos existentes.
Com a sua vinda a Oeiras pretendeu reforçar a geminação existente, agora “mais voltada para a vertente de troca, de know how e de conhecimentos”.
O porto de Mindelo continua a ser uma encruzilhada obrigatória na rota marítima do Atlântico transformando a ilha de São Vicente num ponto de passagem, talvez sejam os encontros e desencontros de populações, as chegadas e partidas de culturas tão diferentes que fazem desta ilha, “uma ilha aberta, cosmopolita e alegre” como Isaura Gomes faz questão de definir.
É no comércio, nos serviços prestados à navegação marítima, na reparação de navios e no abastecimento de combustível que se baseia o seu desenvolvimento económico.
“Eu tenho a sorte de ser Presidente da Câmara duma ilha que, apesar de todos os momentos difíceis que tem tido, é a ilha com mais feeling cultural, e esse feeling advém da história da cidade que se desenvolveu à custa do porto e o porto é sempre um veículo de chegada e partida de muitas civilizações”.
Mindelo é um centro cultural importante onde o desenvolvimento artístico acompanha de perto, dentro das suas dimensões, os grandes centros culturais do mundo.
“A cidade de Mindelo é um centro cultural onde o desenvolvimento artístico, particularmente a música e o intelectualismo, sempre mereceram destaque. Aliás, para muitos, a Cidade do Mindelo é a capital cultural do País. Uma cultura manifestada através da música, da dança, da gastronomia e dos desportos modernos”.

Geminação com Oeiras
Desde o início, as equipas que têm dirigido os destinos do Município de São Vicente têm apostado muito no estabelecimento de relações de cooperação, nomeadamente através de geminações com vários municípios. A geminação com Oeiras data de 1988 e “de facto, devo dizer que as obras e infra-estruturas mais importantes em São Vicente foram feitas com a parceria de Oeiras. É por isso, que os meus munícipes têm uma estima muito especial pelo vosso presidente”.
Para além das relações de amizade, esta geminação têm-se baseado no intercâmbio cultural e “foi por isso que nós estivemos cá há dois anos com ‘Oeiras à descoberta de Mindelo’, onde trouxemos um bocadinho de tudo, do cinema, da música, da literatura, da gastronomia e da dança. Apesar da cultura não ter ainda o tratamento que eu gostaria é pela cultura que se consegue maximizar e catalizar as outras vertentes de desenvolvimento”.
Esta parceria deixou marcos muito visíveis em São Vicente, “o melhor pavilhão desportivo que possuímos é o pavilhão de Oeiras”.
“O nosso desejo é aumentar o ritmo desta geminação, para tal, temos projectos muito concretos, como a realização de um museu e de uma cinemateca. Para além disso, continuamos a partilhar com a Câmara de Oeiras os estágios do nosso pessoal, que lhes permite adquirir conhecimentos e depois adaptá-los às nossas realidades”.
A expansão do ensino, verificada nos últimos anos, com a criação de novas instituições do ensino superior, constitui uma valorização do sector de educação, proporcionada pelas oportunidades geradas ao nível do desenvolvimento do país. “O sector privado tem demonstrado uma grande dinâmica nesta área. Relativamente ao ensino superior, existem cerca de quatro institutos superiores públicos e privados”.
Uma das principais preocupações da autarca prende-se com a qualidade do ensino ao nível do básico e secundário “este é um problema que me preocupa porque na verdade não consigo ter uma boa universidade se não tiver bases sãs”.
A nível de habitação social “temos trocado algumas experiências com Oeiras e criámos um programa muito interessante, que é ‘Deixe-nos ajudar a melhorar as suas condições de habitabilidade’. Estamos a construir uma média de 50 habitações/ano, um número insuficiente face às necessidades mas o possível, tendo em conta a condição financeira da autarquia”.
Para Isaura Gomes, a partilha de experiências é fundamental, “Oeiras é um exemplo, quero transformar São Vicente em Oeiras de Cabo Verde, porque na minha opinião este é um concelho muito mimado ambientalmente”.

Expectativas para este ano
“Em 2008 vamos readaptar todo o nosso regulamento orgânico às novas conjunturas, duma maneira geral estou muito satisfeita com a performance do poder local em Cabo Verde. Penso que é necessário um maior envolvimento e uma maior ofensiva na formação, nos recursos humanos e em algumas especializações.
Eu tenho uma sociedade muito jovem mas só é um potencial importante se tiver formação, essa é a minha aposta.
Desejo que a comunidade internacional continue a ter uma simpatia especial por Cabo Verde, que na minha opinião é fruto de todo o esforço, da perseverança, da resistência, da capacidade de adaptação e do espírito de abertura deste povo”.
Este vai certamente ser um ano de viragem marcado sobretudo pelo positivismo da autarca. AH



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