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quarta-feira, 23 de Maio

 
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Cafés e famílias mais ecológicos 

 

Analisar os consumos energéticos no sector dos serviços e restauração, bem como o potencial de redução dos mesmos, são os principais objectivos do projecto EcoCafés, desenvolvido, em parceria, pela Quercus, pela Câmara Municipal de Oeiras e pela Oeinerge – Agência Municipal de Energia e Ambiente de Oeiras.

Já há alguns anos que a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza vem desenvolvendo trabalho na área da promoção da eficiência energética para o sector doméstico, alargado, recentemente, ao sector dos serviços e restauração.
De acordo com dados de 2005 fornecidos pela Direcção Geral de Energia e Geologia, o sector de hotelaria, restauração e similares é responsável por 4,7% do consumo total de energia no nosso país. Sabe-se, também, que o sector dos serviços foi um dos que mais cresceu em termos de consumo energético, cerca de 7,1%.
O programa EcoCafés, de carácter pioneiro e experimental, está a ser desenvolvido em dez cafés do concelho de Oeiras.
Avaliar e reduzir os consumos energéticos em pequenos estabelecimentos de restauração é o principal objectivo do projecto, que pretende incutir, nos funcionários dos estabelecimentos, algumas alterações comportamentais, sem contudo interferir com o normal funcionamento dos mesmos.
Para uma avaliação do potencial de redução dos consumos energéticos dos diversos estabelecimentos, realizaram-se seis visitas a cada estabelecimento, entre Fevereiro e Julho de 2007.
Após esta fase de avaliação de consumos, será feito o aconselhamento e investigadas as soluções existentes no mercado no que respeita a equipamentos mais eficientes, tendo em vista a sua eventual substituição.
No decorrer das visitas verificou-se, no entanto, que os estabelecimentos que aderiram ao estudo já apresentam comportamentos correctos do ponto de vista da eficiência energética.
Ainda que a maioria possua aparelhos de ar condicionado, aqueles equipamentos são utilizados apenas quando necessário. Por outro lado, apenas um estabelecimento utiliza algumas lâmpadas incandescentes, todos os outros recorrem a lâmpadas de baixo consumo.
Verificou-se ainda que apenas são utilizados em contínuo os equipamentos estritamente necessários, como as arcas e os frigoríficos. A maioria (máquinas registadoras, balanças e máquinas de café, entre outros) é desligada durante o período em que o café se encontra encerrado.
Programa EcoFamílias

Desenvolvido no âmbito do projecto EcoCasa pela Quercus, o programa EcoFamílias acompanhou, durante 16 meses, 30 famílias, num total de 82 pessoas, residentes nos concelhos de Lisboa, Oeiras e Sintra, com o objectivo de avaliar os consumos energéticos no sector doméstico e implementar medidas com vista sua à redução.
A avaliação do comportamento energético das EcoFamílias foi efectuada através da medição real dos consumos de electrodomésticos e outros equipamentos, bem como dos hábitos de utilização dos mesmos.
Recorreu-se também à medição dos níveis de temperatura e humidade das habitações e análise das suas características. Foram igualmente efectuadas leituras dos contadores de electricidade, gás e água. Outro aspecto em análise foi a utilização de equipamentos de energias renováveis ao nível doméstico e a sua influência na factura energética.
Com base nos dados recolhidos e analisados conclui-se que o número de elementos das EcoFamílias não é directamente proporcional aos seus gastos energéticos. Os hábitos de utilização dos equipamentos e o tempo de permanência na habitação são factores mais determinantes nestes consumos.
A utilização dos equipamentos eléctricos também não apresenta uma relação directa com o número de pessoas que vivem numa casa, sendo que a maioria dos equipamentos apresentam consumos fantasma, também designados por off-power e/ou de stand-by. As lâmpadas incandescentes ainda são o tipo de lâmpadas mais utilizadas nas habitações em estudo, existindo, em média, 7,4 lâmpadas por assoalhada.
No que respeita às emissões de gases de efeito de estufa (em particular de dióxido de carbono) associadas aos consumos de energia, verificou-se, tal como para os consumos de electricidade e gás, uma variação muito significativa de emissões entre famílias.
Em média, estas emissões foram na ordem dos 254 kg CO2/mês, havendo emissões de famílias com valores próximos dos 800 Kg de CO2 /mês. Este valor médio de emissões pode traduzir-se como a emissão equivalente do consumo realizado por 12 lâmpadas incandescentes de 60W ligadas 24 horas por dia, durante um mês.
Com base nos dados recolhidos foram então avaliados os potenciais de poupança energética das EcoFamílias.
Foram identificados potenciais de redução através da eliminação de consumos de stand-by e off-power e substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas. Uma medida benéfica para algumas famílias, e que traz também benefícios ambientais, é a substituição do contador simples pelo Bi-Horário.
As recomendações realizadas ao nível da anulação de consumos de stand-by e off-power e utilização correcta dos equipamentos permitiram uma redução de 150 kWh/mês. Conseguiu-se, desta forma, uma redução de 74,7 kg CO2/mês.
Este estudo permitiu concluir que podem atingir-se reduções significativas de consumo de electricidade com pequenas alterações de comportamento, sem alterar o conforto das famílias.
No total, com as recomendações realizadas e o potencial de redução identificado, pode atingir-se uma poupança de 342 kWh/mês, evitando-se a emissão de cerca de 171 kgCO2/mês.

Está nas nossas mãos…
- Desligar o televisor em vez de o deixar em stand-by equivale a uma poupança de 70 mil toneladas de CO2/ano
- Substituir uma lâmpada incandescente por uma lâmpada de alta eficiência equivale a uma poupança de 100 mil toneladas de CO2/ano
- Trocar uma viagem de carro de 60 km/mês/pessoa por uma de comboio equivale a uma poupança de 420 mil toneladas de CO2/ano

Total de poupança: 600 mil toneladas de CO2/ano. Representa 1% do cumprimento do Protocolo de Quioto por Portugal.
 

Informações:
www.ecocasa.org
info@ecocasa.org
Telefone: 217 782 090



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