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quarta-feira, 23 de Maio
No processo denominado de biomonitorização a poluição é avaliada com recurso à utilização de organismos vivos. Neste caso, o musgo aquático ‘Fontinalis antipyretica’ está a ser utilizado como biomonitor.Os musgos aquáticos são bons acumuladores de poluentes, graças à constituição das suas paredes celulares. Por outro lado, são bastante tolerantes, sendo possível que sobrevivam em locais muito poluídos, são relativamente fáceis de identificar, são abundantes e o seu crescimento ocorre durante todo o ano.Aquele tipo de musgo reage rapidamente a alterações na qualidade da água – acumula poluentes muito rapidamente, mas a libertação dos mesmos ocorre de forma lenta, sendo integrador da poluição ocorrida durante períodos de tempo relativamente longos.O projecto de biomonitorização iniciou-se com a selecção de mais de quarenta postos de amostragem, ao longo das ribeiras do concelho.Seguiu-se a recolha, num local não contaminado, do musgo, posteriormente transplantado. Os primeiros transplantes foram colocados nas ribeiras do concelho em Novembro do ano passado, devendo ser recolhidos após um período de exposição de aproximadamente três meses, pretendendo-se que fiquem registadas as descargas e/ou escorrências de poluentes eventualmente ocorridas.Decorrido o período de exposição, as amostras de musgos serão submetidas a testes ecofisiológicos que permitirão avaliar a sua vitalidade.Nos locais mais expostos à poluição a vitalidade dos musgos será menor.O conteúdo das amostras será ainda avaliado numa série de potenciais poluentes: cobre, zinco, manganês, ferro, alumínio, chumbo, níquel, cobalto e crómio, cádmio e arsénio, entre outros.Com os resultados obtidos construir-se-ão mapas georreferenciados, utilizando os diversos parâmetros analisados, bem como mapas de risco, integrando os diferentes níveis de informação.A cartografia das zonas mais afectadas por poluição permitirá identificar os locais ou as sub-bacias de intervenção prioritária, onde a poluição pontual e/ou difusa se revela uma ameaça à conservação dos habitats ripícolas e aquáticos. A biomonitorização constitui-se, nesta medida, enquanto ferramenta importante para gestão da qualidade das águas do concelho de Oeiras.
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