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terça-feira, 22 de Maio
S. João das Maias, esporão rochoso e fortificação, há muito que são uma referência na paisagem ribeirinha de Oeiras. Do nome que exibem não se sabe, ao certo, a origem. O de «Maias», entenda-se. O do santo, esse, não suscita grandes interrogações: é o padroeiro da segunda fortificação que se ergueu neste sítio, após a Restauração de 1640, em honra do qual se levantou, em ano incerto, altar e capela própria. Sacra invocação, qual escudo espiritual, que não defendia as muralhas e os artilheiros das balas inimigas, mas que nenhuma fortaleza ou exército dispensava de possuir. Porquê S. João, em particular, está por saber com rigor. Quanto ao nome «Maias», houve quem alvitrasse que derivaria da existência e captura no local dos característicos crustáceos que cientificamente trazem esta designação (maias) e que a voz popular chama de santolas. Não sendo improvável, fica muita coisa por explicar, desde logo a presença, necessariamente significativa, de colónias destes crustáceos, pouco dados a aparecer junto a penedias costeiras, a não ser quando, por razões que a razão desconhece, como foi recentemente testemunhado em local próximo, têm derivas colectivas e resolvem, simplesmente, dar à costa...Facto pouco conhecido é o da existência de um primitivo forte, representado em documentação cartográfica de finais do século XVI e de inícios do seguinte, do qual nada resta e que, curiosamente, se ignora o nome. De planta triangular e provavelmente de madeira, terá sido erguido em 1579-1580 pelos partidários do Prior do Crato e, pouco depois, aumentado e consolidado sob patrocínio filipino, aquando da ameaça do corsário Francis Drake às nossas costas. À semelhança do forte que lhe sucedeu, construído na década de 40 do século XVII, respondia a um propósito claro: travar o passo a embarcações inimigas que pretendessem franquear a Barra do Tejo, combinando forças e acção de fogo com as fortificações do Bugio e de S. Julião.O forte que chegou aos nossos dias conserva bem visíveis as marcas de diferentes idades, do núcleo inicial, concluído em 1644, às ampliações setecentistas, a principal introduzida em 1796, que alargou em muito a capacidade de tiro (24 bocas de fogo), que deram forma à mais complexa e evoluída máquina de guerra da margem norte do Tejo (à excepção, naturalmente, da fortaleza de S. Julião da Barra).Em futuro próximo, o passeio marítimo (o segundo trecho ligará as praias de Santo Amaro e de Paço de Arcos), alameda de beira-mar onde se cultivam prazeres vários, irá contornar o secular forte, dito das Maias, cuja memória será indispensável dignificar.
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