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terça-feira, 22 de Maio

 
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Alergias aos pólenes podem ser controladas 

 

O organismo humano está preparado para se defender de muitas agressões, como bactérias e vírus. Na presença de um agressor, são desencadeados mecanismos que favorecem a sua eliminação do corpo. Em algumas pessoas, estas respostas podem ser exageradas em relação a alguns agressores e originam uma reacção, chamada reacção alérgica. As reacções alérgicas são, assim, reacções anormais à presença de determinadas substâncias no nosso organismo.
A febre dos fenos é o nome muitas vezes usado para descrever os sintomas alérgicos nasais e oculares que ocorrem frequentemente na Primavera e Outono, apesar de poderem aparecer durante o ano todo. Ocorre em pessoas que têm muita sensibilidade a determinados pólenes de plantas.
Como outro tipo de alergias, como a asma e o eczema, a febre dos fenos tem um carácter familiar. De acordo com um artigo publicado no n.º 170 da revista ‘Pais & Filhos’, a ‘tendência alérgica’ nasce com cada criança e é em grande parte hereditária. Qualquer criança tem 17% de hipóteses de ser alérgica. Mas se um dos pais tiver uma alergia a possibilidade de a criança ser alérgica sobe para 20 a 50%. Se ambos os pais forem alérgicos, a probabilidade de desenvolver uma alergia passa para perto de 70%. Trata-se realmente de um problema importante que afecta uma em cada quatro pessoas.
Os sintomas são causados pela reacção das mucosas de revestimento do nariz e garganta aos alergénios que existem no ar. Estes podem ser pólenes das árvores (que causam sintomas na Primavera) da relva (causando sintomas no Verão), pó da casa ou algumas peles animais. Algumas pessoas reagem aos bolores no Outono.
Todas as espécies vegetais, de acordo com o seu ciclo vegetativo normal, produzem florações e inflorescências que por sua vez lançam pólenes no ar. De acordo com estudos científicos realizados, espécies muito comuns no nosso país são responsáveis pela produção de pólens que contém alergénios. Algumas dessas espécies são a azinheira, a bétula, o castanheiro, o cipreste, o eucalipto, todas as gramíneas, urtigas, oliveiras, palmeiras, pinheiros, plátanos, salgueiros, sobreiros, entre outras, menos conhecidas. A época de floração e produção de pólen acontece sobretudo durante a Primavera (Março, Abril e Maio), no entanto cada espécie floresce e produz pólenes apenas durante duas a três semanas, ao longo de todo o ano.
De acordo com Antero Palma Carlos, do Centro de Alergologia e Imunologia de Lisboa, “as alergias primaveris são uma reacção do organismo aos pólenes dos fenos, de algumas urtigas e das oliveiras e não das flores ou das sementes de choupo, que parecem encher o ar de flocos de algodão durante a Primavera”. Deste modo, este revestimento da semente, que parece algodão, de acordo com os especialistas, não possui propriedades alérgicas, tendo o pólen da árvore sido libertado muito antes da queda da semente.
Estas sementes revestidas, apesar de sujarem bastante os espaços, não causam nenhuma alergia.
As condições meteorológicas desempenham um papel importante e hoje em dia muitos boletins meteorológicos incluem a contagem de pólenes no ar.
Os períodos de chuva reduzem drasticamente o número e a concentração de pólenes no ar ambiente, enquanto o vento, a temperatura elevada e o tempo seco constituem as condições que se associam à maior intensidade de sintomas.
Os pólenes são transportados pelo vento, podendo deslocar-se por distâncias de várias dezenas de quilómetros, ou seja, com muita frequência os sintomas que sentimos são mais provocados por pólenes que são trazidos pelo vento de zonas distantes e não obrigatoriamente pelas plantas que estão próximas da nossa casa.
Ou seja, por exemplo, vemos árvores à nossa porta, mas não são estas que necessariamente provocam as nossas queixas de alergias. Já agora, os pólenes que nos afectam, geralmente não se conseguem ver.
As condições regionais, quer da flora própria da região, quer da poluição atmosférica urbana, podem influenciar a identidade dos sintomas dos doentes alérgicos a determinados pólenes.
A febre dos fenos pode ter sintomas ligeiros ou severos e estes podem variar com os anos.
Em resumo, são vários os tipos polínicos que existem no ar que respiramos.
Para a maior parte das pessoas estes pólenes não constituem qualquer tipo de agressão. No entanto, para os que, por um desvio imunológico, se tornaram alérgicos, esses pólenes podem constituir um factor desencadeante ou agravante de sintomas nasais, oculares e brônquios. No entanto, antes de atribuir a causalidade de eventuais sintomas a esta ou àquela espécie vegetal, é necessária uma avaliação médica alergológica que permita identificar se há ou não alergia a pólenes e a quais pólenes, para a partir daí se poder planear o esquema preventivo e/ou terapêutico mais adequado.
Informe-se e contribua para o esclarecimento de outros cidadãos. As alergias podem ser controladas. Reduzir os espaços verdes não é certamente a solução.

 

Mais informações:
Para mais informações sugerimos uma visita ao site da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, em www.spaic.pt.

 

 



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