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terça-feira, 22 de Maio

 
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Primeiro dicionário Português-Gitonga editado pela Câmara de Oeiras 

 

Divulgar a língua portuguesa, por um lado, e defender uma das línguas dominantes na região de Inhambe, em Moçambique, por outro, foram os objectivos que determinaram a elaboração do primeiro dicionário de Português-Gitonga / Gitonga-Português, apresentado no passado dia 25 de Janeiro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Uma obra resultante de uma parceria firmada entre a Câmara Municipal de Oeiras e o Conselho Municipal de Inhambene, sob a égide de Mia Couto.
Organizada por Amaral Bernardo Amaral, Sara Antónia Jona Laisse e Eugénio Filipe Nhacota, que estiveram presentes no lançamento, a obra surge como forma de “reconhecer, valorizar e preservar a língua do povo Tonga”, constituindo, por outro lado, “um instrumento importante na aprendizagem do português”.
Revelador de “tendências de inclusão social e cultural”, o dicionário assume, na opinião de Sara Laisse, papel determinante no “diálogo, que considero necessário, entre Portugal e Moçambique”.
A autora assinala que se trata de uma língua com poucos registos escritos – a tradição oral é dominante em África e Moçambique não é excepção –, pelo que se revela de grande importância o contributo de um dicionário como o que foi editado.
“Sinto-me desde já desafiada a rever e ampliar esta obra”, disse, deixando desde logo em aberto a possibilidade de novas parcerias entre Oeiras e Inhambane para outras publicações.
O patrocínio da Câmara de Oeiras à edição deste dicionário surge no âmbito de programas de cooperação desenvolvidos, desde há muito, pela Autarquia com os Países Africanos de Expressão Portuguesa.
A cooperação na área da educação tem merecido uma atenção prioritária, atendendo quer à promoção da língua portuguesa como instrumento privilegiado de contactos, quer ao contributo que a educação pode dar na construção e desenvolvimento dos países.
De acordo com Isaltino Morais, “a geminação existente [desde 1999] entre o Município de Oeiras e o Conselho Municipal de Inhambane é disso um exemplo feliz”.
“Consciente da importância da língua portuguesa e consciente do respeito das autoridades moçambicanas para com um património cultural que importa partilhar – disse – a Câmara Municipal de Oeiras tomou a iniciativa de elaborar o dicionário do Gitonga”.
O presidente da Câmara lembrou, ainda, o papel desempenhado pelo escritor Mia Couto no processo – “foi dele que partiu a ideia” – e agradeceu a contribuição de Malangatana, responsável pela ilustração que faz a capa do dicionário.
A apresentação do dicionário contou com o apoio do Departamento de Estudos Africanos da Universidade de Lisboa e com as presenças do Prof. Álvaro Pina, presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras, e do Prof. Ernesto Andrade, especialista em Linguística.
Presente na qualidade de moderador do debate que precedeu a apresentação da obra esteve o jornalista David Borges.
Recorde-se que o dicionário foi apresentado, igualmente, em Moçambique, Maputo, no dia 22 de Novembro do ano passado, com a presença de Mia Couto, que afirmou que “se se pretende apoiar a popularização do idioma português em Moçambique há que, em simultâneo, defender as línguas moçambicanas de raiz bantu. Trata-se de criar pontes de apoio recíproco entre rios que flúem na mesma direcção”.



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