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quinta-feira, 17 de Maio
Durante algum tempo andámos preocupados com as qualificações académicas de um dos nossos governantes; o que nunca questionámos – ou, pelo menos, não me lembro de alguém o ter feito – foi qual a qualificação académica que lhe era (ou não) legitimamente atribuída. O tempo que vivemos e as dificuldades que enfrentamos estão directamente ligados a um outro problema, que se prende com a avaliação que fazemos da História e daqueles que a encabeçaram. Podemos quase dizer que vivemos num tempo sem História, ou que corre paralelo a esta: o Portugal de hoje não é pensado de acordo como passado mas lançado caoticamente ao futuro, essa grande incógnita que, mais ainda do que a memória, é construído a partir do nada. Novamente: será melhor um governante que tem um “canudo” ou outro que, por virtude própria ou de uma instituição de ensino, se apropriou das matérias certas e condizentes com a sua profissão? Ou, trocado por miúdos: se eu precisar de alguém que arranje o meu carro, escolho um homem instruído em Engenharia Mecânica, ou alguém doutorado em Filologia? A resposta é evidente e, neste aspecto, a História costuma dar-nos razão. Senão, vejamos: Mário Soares,um dos nossos mais respeitados democratas e pensadores, é licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas; Winston Churchil foi escritor, jornalista e um conhecido orador (apesar da gaguez); Lenine era um estudioso da FilologiaClássica e Literatura; John F. Kennedy estudou Filosofia Política em Harvard; enfim, os exemplos sucedem-se. Os grandes homens de Estado – ou, o que é mais verdadeiro, os grandes homens – foram, em grande parte e até aodespertar deste novo milénio, também grandes intelectuais que souberam o valor de amar (filo) a sabedoria (sofia). Hoje, qualquer canudo serve – mesmo o de Engenharia Civil, incompleto – desde que um governante tenha aptidão para o sofisma. Os sofistas, já agora, foram os primeiros advogados do mundo: isso não diz logo tudo?
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